Cigarro de tauari espanta mau olhado, diz curandeira da Amazônia de 102 anos

O cigarro do tauari sempre foi usado pelos xamãs
Cigarro de tauari. Imagem: Amazon Sat



Moacir Biondo e Juçara Menezes portalamazonia

MANAUS – Você conhece o cigarro de tauari? Quase uma raridade no Amazonas, é usado pela curandeira Dona Melica, de 102 anos de idade, para trabalhos espirituais.

Moradora da cidade de Parintins, no Amazonas, Melica assinala que quando um sujeito fumar o cigarro de tauari deve ter a intenção de passar energia positiva ao outro. “O efeito da fumaça que a gente joga na pessoa depende muito do estado espiritual dela. Se tiver alguma coisa pequena no encalço, ele sente um alívio. Se a coisa for grande, o sentimento é de choque”, explicou. 

A curandeira faz um alerta: ” Nem todas as pessoas que se dizem amigas na verdade te querem bem. Há gente fingindo dar alegria e carinho, mas toda esta felicidade é momentânea”. 

Para pessoas que têm o olho gordo (invejosos) por perto, Dona Melica indica uma baforada do cigarro de tauari na porta de casa. Deste modo, as urucas (mau olhado e desejos maldosos contra o outro) são espantadas pelos bons espíritos. 

Para arrumar marido ou namorada, Dona Melica sabe como, mas não conta o segredo. “Se falar qual planta ou folha usar, a pessoa pode ter o efeito contrário. O melhor é vir e trazer sua própria flor”, assinalou. 

A curandeira explica a composição do cigarro. Feito da madeira do tauri, há também canauaru (sapo amazônico de pequeno porte, mas produtor de um breu muito poderoso), tabaco e cumari – uma espécie de pimenta. 

A única dica de Dona Melica é na hora do banho. Quem precisa retirar o mau olhado, pode fazer um receita caseira. É só use na água cinco folhas de peão roxo que toda a inveja vai pelo ralo

Dona Melica ensina banho contra mau olhado. Foto: Amazon Sat/Reprodução


Cigarro sempre foi usado em rituais


O cigarro do tauari sempre foi usado pelos xamãs (índios que utilizam a magia para o bem) e pelos umbandistas. Como parte do sincretismo religioso, é usado por vários povos indígenas, em toda a América do Sul.

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